{"id":34816,"date":"2017-11-14T10:09:47","date_gmt":"2017-11-14T10:09:47","guid":{"rendered":"https:\/\/trc.pt\/\/2017\/11\/14\/impugnacao-da-decisao-sobre-materia-de-facto-rejeicao-contradicao-entre-factos-mandato-forense-obrigacao-de-meios-perda-de-chance-processual-responsabilidade-civil\/"},"modified":"2017-11-14T10:09:47","modified_gmt":"2017-11-14T10:09:47","slug":"impugnacao-da-decisao-sobre-materia-de-facto-rejeicao-contradicao-entre-factos-mandato-forense-obrigacao-de-meios-perda-de-chance-processual-responsabilidade-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/trc.pt\/2020\/impugnacao-da-decisao-sobre-materia-de-facto-rejeicao-contradicao-entre-factos-mandato-forense-obrigacao-de-meios-perda-de-chance-processual-responsabilidade-civil\/","title":{"rendered":"Impugna\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o sobre mat\u00e9ria de facto. Rejei\u00e7\u00e3o. Contradi\u00e7\u00e3o entre factos. Mandato forense. Obriga\u00e7\u00e3o de meios. Perda de chance processual. Responsabilidade civil"},"content":{"rendered":"<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_34816\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"34816\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon small\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img src=\"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<strong>IMPUGNA\u00c7\u00c3O DA DECIS\u00c3O SOBRE MAT\u00c9RIA DE FACTO. REJEI\u00c7\u00c3O. CONTRADI\u00c7\u00c3O ENTRE FACTOS. MANDATO FORENSE. OBRIGA\u00c7\u00c3O DE MEIOS. PERDA DE CHANCE PROCESSUAL. RESPONSABILIDADE CIVIL<br \/> \tAPELA\u00c7\u00c3O N\u00ba<\/strong> 150\/15.9T8OHP.C1<br \/> \t<strong>Relator: <\/strong>ISA\u00cdAS P\u00c1DUA<br \/> \t<strong>Data do Acord\u00e3o:<\/strong> 07-11-2017<br \/> \t<strong>Tribunal: <\/strong>TRIBUNAL JUDICIAL DA COMARCA DE COIMBRA \u2013 O. HOSPITAL \u2013 JU\u00cdZO COMP. GEN\u00c9RICA.<br \/> \t<strong>Legisla\u00e7\u00e3o:<\/strong> ART\u00ba 640\u00ba, N\u00baS 1, AL. B) E 2, AL. A), DO NCPC; ART\u00ba 563\u00ba C. CIVIL.<br \/> \t<strong>Sum\u00e1rio: <\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tLimitando-se o impugnante de decis\u00e3o da mat\u00e9ria de facto a alegar que houve testemunhas ouvidas em audi\u00eancia de discuss\u00e3o e julgamento cujos depoimentos (gravados) impunham decis\u00e3o diversa sobre determinado facto, sem concretizar a identifica\u00e7\u00e3o dessas testemunhas (e por consequ\u00eancia n\u00e3o indicando as passagens da grava\u00e7\u00e3o desses depoimentos), e sem que se esteja no dom\u00ednio de prova vinculada, tal imp\u00f5e a rejei\u00e7\u00e3o, nessa parte, do recurso, por clara inobserv\u00e2ncia do disposto no art\u00ba. 640\u00ba, n\u00bas. 1 al. b) e 2 al. a), do CPC.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tS\u00f3 existe contradi\u00e7\u00e3o entre factos quando eles se mostrem absolutamente incompat\u00edveis entre si, de tal modo que ambos n\u00e3o possam coexistir, sendo que essa incompatibilidade deve reportar-se aos pr\u00f3prios factos provados e j\u00e1 n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com aqueles dados como n\u00e3o provados.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tNa execu\u00e7\u00e3o do mandato forense o advogado deve colocar todo o seu saber e empenho na defesa dos interesses do cliente, embora dispondo de uma significativa margem de liberdade ou autonomia t\u00e9cnica. Nessa execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se inclui, como regra, a obriga\u00e7\u00e3o de ganhar a causa, mas apenas a de defender aqueles interesses diligentemente, segundo a leges artis, com o objetivo de vencer a lide, e da\u00ed que a obriga\u00e7\u00e3o decorrente do exerc\u00edcio dessa atividade se assuma como uma obriga\u00e7\u00e3o de meios e n\u00e3o de resultado.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tMuito embora no exerc\u00edcio da atividade profissional do advogado possam coexistir a responsabilidade contratual e a responsabilidade extracontratual, imputando-se ao mesmo o incumprimento ou o cumprimento deficiente das obriga\u00e7\u00f5es que lhe adv\u00eam da execu\u00e7\u00e3o do mandato forense a responsabilidade da\u00ed adveniente assume, em regra, a natureza contratual.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tN\u00e3o dando o advogado conhecimento ao seu cliente do teor de uma senten\u00e7a que foi inteiramente desfavor\u00e1vel \u00e0s suas pretens\u00f5es formuladas na a\u00e7\u00e3o que o mandatou para instaurar a fim de fazer valer as mesmas, impedindo com isso o mandante de dela interpor recurso (e sem aquele n\u00e3o o tenha feito, desconsiderando o prazo legal estatu\u00eddo para o efeito, e permitindo que aquela decis\u00e3o transitasse em julgado), impossibilitando-o, assim, de atacar essa decis\u00e3o e de ver reapreciada a sua posi\u00e7\u00e3o junto de um tribunal superior, tal comportamento omissivo \u00e9 suscet\u00edvel de configurar um aut\u00f3nomo dano por \u201cperda de chance processual\u201d ou perda de oportunidade, e como tal sujeito a indemniza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tA doutrina da figura da \u201cperda de chance ou de oportunidade\u201d \u2013 apesar de n\u00e3o disfrutar de apoio linear no nosso ordenamento jur\u00eddico, tem, todavia, vindo paulatinamente a obter cada vez maior reconhecimento na doutrina e, sobretudo, na nossa jurisprud\u00eancia &#8211; n\u00e3o representa apenas uma mera revis\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o do conceito de dano, antes deve ser assumida como uma rutura com a conce\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da causalidade, esta plasmada no art\u00ba. 563\u00ba do CC.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tDoutrina essa que propugna, em tese geral, a compensa\u00e7\u00e3o quando fique demonstrado, n\u00e3o o nexo causal entre o facto il\u00edcito e o dano final, mas que as probabilidades de obten\u00e7\u00e3o de uma vantagem ou de obviar um preju\u00edzo eram reais, s\u00e9rias e consider\u00e1veis.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tNo dano de \u201cperda de chance processual\u201d o que se indemniza n\u00e3o \u00e9 o dano final, mas o dano \u201cavan\u00e7ado\u201d, constitu\u00eddo pela \u201cperda de chance\u201d, que deve ser medida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cchance\u201d perdida, a qual n\u00e3o pode ser igual \u00e0 vantagem que se procurava, nem superior nem igual \u00e0 quantia que seria atribu\u00edda ao lesado, caso se verificasse o nexo causal entre o facto e o dano final.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"> \t\tNessa tarefa importa proceder a uma dupla avalia\u00e7\u00e3o, realizando-se, em primeiro lugar, a avalia\u00e7\u00e3o do dano final, para, em seguida, ser fixado o grau de probabilidade de obten\u00e7\u00e3o da vantagem ou de evitamento do preju\u00edzo, ap\u00f3s o que, obtidos tais valores, se se aplica o valor percentual que representa o grau de probabilidade ao valor correspondente \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do dano final, constituindo o resultado desta opera\u00e7\u00e3o a indemniza\u00e7\u00e3o a atribuir pela \u201cperda da chance\u201d, que n\u00e3o pode ser, assim, fixado em termos puramente matem\u00e1ticos, mas em termos h\u00e1beis e, se necess\u00e1rio, com recurso a ju\u00edzos de equidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<a href=\"http:\/\/www.dgsi.pt\/jtrc.nsf\/8fe0e606d8f56b22802576c0005637dc\/96e51d9c7dfa690d802581d7003a60dc?OpenDocument\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Consultar texto integral<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_34816\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"34816\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon small\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img src=\"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p>IMPUGNA\u00c7\u00c3O DA DECIS\u00c3O SOBRE MAT\u00c9RIA DE FACTO. 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