{"id":29367,"date":"2008-04-29T19:00:00","date_gmt":"2008-04-29T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/trc.pt\/\/2008\/04\/29\/movimento-judicial-ordinario-julho-2008-sp-19666\/"},"modified":"2008-04-29T19:00:00","modified_gmt":"2008-04-29T19:00:00","slug":"movimento-judicial-ordinario-julho-2008-sp-19666","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/trc.pt\/2020\/movimento-judicial-ordinario-julho-2008-sp-19666\/","title":{"rendered":"Homic\u00eddio qualificado. Impugna\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o de facto"},"content":{"rendered":"<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_29367\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"29367\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon small\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img src=\"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p> <strong>\tHOMIC\u00cdDIO QUALIFICADO IMPUGNA\u00c7\u00c3O DECIS\u00c3O DE FACTO PRINCIPIO DA LIVRE APRECIA\u00c7\u00c3O DA PROVA REAPRECIA\u00c7\u00c3O PELO TRIBUNAL DE RECURSO LIMITES \u00c0 REAPRECIA\u00c7\u00c3O ESPECIAL CENSURABILIDADE E PERVERSIDADE EXEMPLOS-PADR\u00c3O<\/strong> <br \/> <strong>RECURSO CRIMINAL N.\u00ba<\/strong>105\/06.4GCPMS.C1\t <br \/> <strong>Relator:\t<\/strong>DR. VASQUES OS\u00d3RIO <br \/> <strong>Data do Acord\u00e3o:<\/strong>\t30\/04\/2008 <br \/> <strong>Tribunal Recurso:<\/strong>\t1.\u00ba JU\u00cdZO DO TRIBUNAL JUDICIAL DA COMARCA DE PORTO DE M\u00d3S <br \/> <strong>Legisla\u00e7\u00e3o Nacional:<\/strong>\tARTIGOS 127.\u00ba E 355.\u00ba DO C\u00d3DIGO DE PROCESSO PENAL E ARTIGO 132.\u00ba, N.\u00ba 2 DO C\u00d3DIGO PENAL. <br \/> <strong>Sum\u00e1rio:<\/strong>\t <\/p>\n<ol>\n<li>O princ\u00edpio da livre aprecia\u00e7\u00e3o da prova, consagrado no artigo 127.\u00ba do C\u00f3digo de Processo Penal, \u00e9 um princ\u00edpio de aplica\u00e7\u00e3o vinculada por exigir que o julgador ao dar como provado um determinado enunciado f\u00e1ctico, justifique o processo de decis\u00e3o mediante uma aprecia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e racional das provas que serviram para formar a sua convic\u00e7\u00e3o de modo a evidenciar que, das provas produzidas conjugadas com as regras da experi\u00eancia e com os m\u00e9todos da l\u00f3gica indutiva, resulta uma convic\u00e7\u00e3o ancorada em crit\u00e9rios l\u00f3gico-racionais que se imponha aos destinat\u00e1rios da decis\u00e3o como sinal de uma verdade objectivada e motivada.  \t<\/li>\n<li>Esta opera\u00e7\u00e3o intelectual, n\u00e3o \u00e9 uma mera op\u00e7\u00e3o voluntarista sobre a certeza de um facto, e contra a d\u00favida, nem uma previs\u00e3o com base na verosimilhan\u00e7a ou probabilidade, mas a conforma\u00e7\u00e3o intelectual do conhecimento do facto (dado objectivo) com a certeza da verdade alcan\u00e7ada (dados n\u00e3o objectiv\u00e1veis), e para ela concorrem as regras impostas pela lei, como sejam as da experi\u00eancia, da percep\u00e7\u00e3o da personalidade do depoente \u2013 aqui relevando, de forma muito especial, os princ\u00edpios da oralidade e da imedia\u00e7\u00e3o \u2013 e da d\u00favida inultrapass\u00e1vel que conduz ao princ\u00edpio \u201cin dubio pro reo\u201d (cfr. Ac. do T. Constitucional de 24\/03\/2003, DR. II, n\u00ba 129, de 02\/06\/2004, 8544 e ss.).  \t<\/li>\n<li>\u00a0O recurso em mat\u00e9ria de facto perante os tribunais da Rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o se destina a realizar um novo julgamento, antes constitui um rem\u00e9dio para os v\u00edcios do julgamento em 1\u00aa inst\u00e2ncia, possibilitando \u201cuma reaprecia\u00e7\u00e3o sobre a razoabilidade da convic\u00e7\u00e3o formada pelo tribunal recorrido relativamente aos concretos pontos de facto que o recorrente entende incorrectamente julgados, com base na avalia\u00e7\u00e3o das provas que considera determinarem uma diversa decis\u00e3o (cfr. Ac. do STJ de 19\/12\/2007, processo n.\u00ba 07P4203, em www.dgsi.pt\u201d  \t<\/li>\n<li>\u00a0Porque ao tribunal de recurso est\u00e1 vedada a imedia\u00e7\u00e3o e a oralidade que permitem ao julgador da 1\u00aa inst\u00e2ncia percepcionar as reac\u00e7\u00f5es humanas e analisar psicologicamente os tra\u00e7os salientes de como se comporta cada testemunha ou declarante conferindo-lhe, deste modo, credibilidade ou afastando o seus depoimentos, o tribunal de recurso s\u00f3 poder\u00e1 censurar a decis\u00e3o do julgador fundada naquela prova, quando for feita a demonstra\u00e7\u00e3o de que aquela op\u00e7\u00e3o viola as regras da experi\u00eancia comum.  \t<\/li>\n<li>A qualifica\u00e7\u00e3o do homic\u00eddio no C. Penal \u00e9 efectuada atrav\u00e9s da combina\u00e7\u00e3o de uma cl\u00e1usula gen\u00e9rica de agrava\u00e7\u00e3o, prevista no n\u00ba 1 do art. 132\u00ba \u2013 a especial censurabilidade ou perversidade do agente ou seja, um especial tipo de culpa \u2013 com a t\u00e9cnica dos exemplos-padr\u00e3o ou exemplos t\u00edpicos, enunciados no n\u00ba 2 do mesmo artigo.  \t<\/li>\n<li>\u00a0Os exemplos padr\u00e3o indiciam e explicitam o sentido da cl\u00e1usula geral pelo que a verifica\u00e7\u00e3o de um exemplo-padr\u00e3o n\u00e3o significa, necessariamente, a realiza\u00e7\u00e3o daquele especial tipo de culpa e consequente qualifica\u00e7\u00e3o do homic\u00eddio  \t<\/li>\n<li>\u00a0Do mesmo passo que a n\u00e3o verifica\u00e7\u00e3o de qualquer exemplo-padr\u00e3o n\u00e3o impede a qualifica\u00e7\u00e3o do homic\u00eddio o que \u00e9 inculcado pela express\u00e3o \u201centre outras\u201d inserta no n\u00ba 2 do art. 132\u00ba, indicativa de que n\u00e3o estamos perante um elenco taxativo.  \t<\/li>\n<li>\u00a0O que se exige \u00e9 a verifica\u00e7\u00e3o, no caso concreto, de elementos substancialmente an\u00e1logos aos tipicamente descritos ou seja, que embora n\u00e3o expressamente previstos na lei, correspondam ao sentido, desvalor e gravidade de um exemplo-padr\u00e3o (cfr. Prof. Figueiredo Dias, Coment\u00e1rio Conimbricense do C\u00f3digo Penal, Parte Especial, Tomo I, 26, Prof. Augusto Silva Dias, Crimes Contra a Vida e a Integridade F\u00edsica, 2\u00aa Ed., AAFDL, 2007, 25 e ss., e Teresa Serra, Homic\u00eddio Qualificado, 73). Nestas condi\u00e7\u00f5es, porque se mostra plenamente respeitado o princ\u00edpio da legalidade, \u00e9 admiss\u00edvel o homic\u00eddio qualificado at\u00edpico.  \t<\/li>\n<li>A qualifica\u00e7\u00e3o do homic\u00eddio baseia-se num especial tipo de culpa, espelhado na especial censurabilidade ou perversidade do agente e prende-se com a atitude do agente relativamente a formas de cometimento do facto especialmente desvaliosas. \tX. \u2013 Enquanto que a especial perversidade se reporta \u00e0s condutas que reflectem no facto concreto as qualidades especialmente desvaliosas da personalidade do agente (cfr. Prof. Figueiredo Dias, ob. cit., 29), a especial censurabilidade refere-se \u00e0s componentes da culpa relativamente ao facto (cfr. Teresa Serra, ob. cit., 64).<\/li>\n<\/ol>\n<p> \t\u00a0 \t<\/p>\n<p> \t<a href=\"http:\/\/www.dgsi.pt\/jtrc.nsf\/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb\/d1e653a8453d4f8680257450004f95a8?OpenDocument\" target=\"\u02cdblank\" rel=\"noopener noreferrer\">Consultar texto integral\u00a0<\/a>  \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_29367\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"29367\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon small\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img src=\"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p>HOMIC\u00cdDIO QUALIFICADO IMPUGNA\u00c7\u00c3O DECIS\u00c3O DE FACTO PRINCIPIO DA LIVRE APRECIA\u00c7\u00c3O DA PROVA REAPRECIA\u00c7\u00c3O PELO TRIBUNAL DE RECURSO LIMITES \u00c0 REAPRECIA\u00c7\u00c3O<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[232],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29367"}],"collection":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29367\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}