{"id":25958,"date":"2004-06-22T00:00:00","date_gmt":"2004-06-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/trc.pt\/\/2004\/06\/22\/ap186104\/"},"modified":"2004-06-22T00:00:00","modified_gmt":"2004-06-22T00:00:00","slug":"ap186104","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/trc.pt\/2020\/ap186104\/","title":{"rendered":"Mat\u00e9ria de facto. Mat\u00e9ria de direito. Impugna\u00e7\u00e3o pauliana"},"content":{"rendered":"<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_25958\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"25958\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon small\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img src=\"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p align=\"justify\"><strong>MAT\u00c9RIA DE FACTO. ALTERA\u00c7\u00c3O. MAT\u00c9RIA DE DIREITO. M\u00c1 F\u00c9. IMPUGNA\u00c7\u00c3O PAULIANA<br \/> APELA\u00c7\u00c3O N&ordm;<\/strong> 1861\/04 <br \/> <strong>Relator<\/strong>: HELDER ALMEIDA&nbsp;<br \/> <strong>Data do Acord\u00e3o<\/strong>: 22-06-2004 <br \/> <strong>Tribunal<\/strong>: \u00c1GUEDA<br \/> <strong>Legisla\u00e7\u00e3o<\/strong>: ARTS. ART.&ordm; 612&ordm; DO CC, 646&ordm;, N&ordm; 4 DO CPC, 261&ordm;, N&ordm; 3 DO C\u00d3D. DAS SOC. COMERCIAIS <br \/> <strong>Sum\u00e1rio<\/strong>:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<div align=\"justify\">Por isso que todas as reac\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es comportamentais -decisivas para a emiss\u00e3o de um seguro e fi\u00e1vel ju\u00edzo de valor \u00e0cerca das declara\u00e7\u00f5es produzidas em audi\u00eancia -, n\u00e3o resultam acess\u00edveis \u00e0 frieza de meios mec\u00e2nicos, como sejam os registos escritos ou magnetof\u00f3nicos, ao Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o apenas e s\u00f3 \u00e9 dado alterar a decis\u00e3o sobre a mat\u00e9ria de facto em casos excepcionais de manifesto erro na aprecia\u00e7\u00e3o da prova, de flagrante desconformidade entre os elementos probat\u00f3rios dispon\u00edveis e essa decis\u00e3o.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Tal ser\u00e1 o caso, notadamente, de o depoimento de uma testemunha ter um sentido em absoluto dissonante ou inconcili\u00e1vel com o que lhe foi conferido no julgamento, de n\u00e3o terem sido consideradas -v.g. por distrac\u00e7\u00e3o-, determinadas declara\u00e7\u00f5es ou outros elementos de prova que, sendo relevantes, se apresentavam livres de qualquer inquina\u00e7\u00e3o, e pouco mais.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Os ju\u00edzos de facto podem nuns casos ser mat\u00e9ria de facto e noutros mat\u00e9ria de direito.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Com efeito, h\u00e1 que distinguir nesses ju\u00edzos de facto (ju\u00edzos de valor sobre mat\u00e9ria de facto) entre aqueles cuja emiss\u00e3o ou formula\u00e7\u00e3o se h\u00e1-de apoiar em simples crit\u00e9rios pr\u00f3prios do bom pai de fam\u00edlia, do &ldquo;homo prudens&rdquo;, do homem comum e aqueles que, pelo contr\u00e1rio, na sua formula\u00e7\u00e3o apelam essencialmente para a sensibilidade ou intui\u00e7\u00e3o do jurista, para a forma\u00e7\u00e3o especializada do julgador.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Os primeiros est\u00e3o fundamentalmente ligados \u00e0 mat\u00e9ria de facto; os segundos est\u00e3o mais presos ao sentido da norma aplic\u00e1vel ou aos crit\u00e9rios de valoriza\u00e7\u00e3o da lei&#8230;&rdquo;<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Da\u00ed que se algum dos ju\u00edzos de valor sobre factos (ou seja, sobre mat\u00e9ria de facto) for indevidamente inclu\u00eddo no question\u00e1rio, a resposta do Colectivo a esses quesitos n\u00e3o deve ser tida por n\u00e3o escrita, visto n\u00e3o se tratar de verdadeiras quest\u00f5es de direito.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Em sede de impugna\u00e7\u00e3o pauliana, para se afirmar da consci\u00eancia do preju\u00edzo por parte dos outorgantes n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio formular qualquer racioc\u00ednio de ordem jur\u00eddica ou apelar essencialmente para a forma\u00e7\u00e3o especializada do julgador, raz\u00e3o por que esse ju\u00edzo conclusivo, assentando em crit\u00e9rio de car\u00e1cter pr\u00e1tico do homem comum, situa-se no dom\u00ednio da mat\u00e9ria de facto.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">O requisito da m\u00e1 f\u00e9 (consilium fraudis), para efeitos de impugna\u00e7\u00e3o pauliana, n\u00e3o exige uma actua\u00e7\u00e3o dolosa, com inten\u00e7\u00e3o ou des\u00edgnio de prejudicar o credor &ndash;concerta\u00e7\u00e3o do devedor e do adquirente para atentar contra o direito daquele-, se bem que se n\u00e3o baste tamb\u00e9m com o simples conhecimento da prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o patrimonial do devedor.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Necess\u00e1rio &ndash;mas tamb\u00e9m suficiente-, \u00e9 que o devedor e o adquirente tenham a consci\u00eancia do preju\u00edzo que o acto causa ao credor, estado psicol\u00f3gico esse que se basta com a mera representa\u00e7\u00e3o da possibilidade da produ\u00e7\u00e3o do resultado danoso em consequ\u00eancia da conduta, que o mesmo \u00e9 dizer, neglig\u00eancia consciente.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">O momento em que se deve aferir da m\u00e1-f\u00e9 dos intervenientes \u00e9 o da celebra\u00e7\u00e3o do acto impugnado, ou seja, aquele mediante o qual se efectivou a aliena\u00e7\u00e3o do bem ou a transmiss\u00e3o do direito determinantes da impossibilidade de o credor obter a execu\u00e7\u00e3o judicial do cr\u00e9dito.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Sendo um desses intervenientes uma sociedade, basta a consci\u00eancia ou no\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo que o acto causa ao credor por parte de um qualquer dos seus gerentes &ndash;&ldquo;conhecimento por um dos gerentes reputa-se conhecimento pela sociedade&rdquo;-, e isso independentemente da previs\u00e3o do pacto social, ainda que no sentido da interven\u00e7\u00e3o de dois (ou mais) gerentes em ordem \u00e0 v\u00e1lida vincula\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/div>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"justify\"><a target=\"\u02cdblank\" href=\"http:\/\/www.dgsi.pt\/jtrc.nsf\/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb\/3c6af750674d481e80256ed2003c5dea?OpenDocument\" rel=\"noopener noreferrer\">Consultar texto integral<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_25958\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"25958\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon small\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img src=\"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p>MAT\u00c9RIA DE FACTO. ALTERA\u00c7\u00c3O. MAT\u00c9RIA DE DIREITO. M\u00c1 F\u00c9. IMPUGNA\u00c7\u00c3O PAULIANA APELA\u00c7\u00c3O N&ordm; 1861\/04 Relator: HELDER ALMEIDA&nbsp; Data do Acord\u00e3o:<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[229],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25958"}],"collection":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25958"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25958\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}