{"id":25403,"date":"2011-03-29T13:49:30","date_gmt":"2011-03-29T13:49:30","guid":{"rendered":"https:\/\/trc.pt\/\/2011\/03\/29\/ap1152000c2\/"},"modified":"2011-03-29T13:49:30","modified_gmt":"2011-03-29T13:49:30","slug":"ap1152000c2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/trc.pt\/2020\/ap1152000c2\/","title":{"rendered":"Dep\u00f3sito irregular. Consulado portugu\u00eas. Estrangeiro. Forma. Usura. Anulabilidade. Obriga\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria. Actualiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_25403\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"25403\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon small\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img src=\"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>DEP\u00d3SITO IRREGULAR. CONSULADO PORTUGU\u00caS. ESTRANGEIRO. FORMA. USURA. ANULABILIDADE. OBRIGA\u00c7\u00c3O PECUNI\u00c1RIA. ACTUALIZA\u00c7\u00c3O <br \/> APELA\u00c7\u00c3O N&ordm; <\/strong>115\/2000.C2 <br \/> <strong>Relator: <\/strong>ARTUR DIAS <br \/> <strong>Data do Acord\u00e3o:<\/strong> 29-03-2011 <br \/> <strong>Tribunal: <\/strong>TOMAR &ndash; 2&ordm; JU\u00cdZO <br \/> <strong>Legisla\u00e7\u00e3o: <\/strong>ART&ordm;S 281&ordm;, 550&ordm;, 1142&ordm;, 1185&ordm;, 1205&ordm;, 1206&ordm; E 207&ordm; DO C\u00d3D. CIVIL <br \/> <strong>Sum\u00e1rio: <\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify\">Apesar de se regerem pelo disposto no Regulamento Consular Portugu\u00eas aprovado pelo Decreto n&ordm; 6.462, de 21\/03\/1920 (Di\u00e1rio do Governo n&ordm; 57, de 21\/03\/1920), os contratos integrados pelas entregas por parte dos AA. nos Consulados de Portugal nas cidades da Beira e de Maputo, em Mo\u00e7ambique, devem ser qualificados como dep\u00f3sitos irregulares, qualifica\u00e7\u00e3o esta que vem sendo assumida maioritariamente pela jurisprud\u00eancia (art&ordm;s 1185&ordm;, 1205&ordm; e 207&ordm; do C\u00f3d. Civil).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">O art&ordm; 1206&ordm; do CC n\u00e3o equipara, pura e simplesmente, o contrato de dep\u00f3sito irregular ao contrato de m\u00fatuo, antes manda aplicar \u00e0quele as normas relativas a este, &laquo;na medida do poss\u00edvel&raquo;. O que inculca que, apesar de se tratar de uma razo\u00e1vel extens\u00e3o do regime do m\u00fatuo ao dep\u00f3sito irregular, existem normas relativas ao primeiro que n\u00e3o se aplicam ao segundo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">No caso de dep\u00f3sitos efectuados em 1976, de quantias monet\u00e1rias de escudos mo\u00e7ambicanos nos Consulados de Portugal nas cidades da Beira e de Maputo, em Mo\u00e7ambique, tendo estas entidades recebido aqueles dep\u00f3sitos no cumprimento do seu dever de ajuda consular, deve entender-se que as entregas das ditas quantias, bem como o seu recebimento por parte dos Consulados, foram feitas ao abrigo do art&ordm; 2&ordm;, n&ordm; 13 do Regulamento Consular Portugu\u00eas, aplicando-se-lhes, pois, essa lei especial, que n\u00e3o exigia que os respectivos contratos fossem celebrados por escritura p\u00fablica.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Sendo destes concretos contratos que se cuida, submetidos ao indicado regime, quanto a eles n\u00e3o poder\u00e1 deixar de ser conferida especial for\u00e7a \u00e0 express\u00e3o &laquo;na medida do poss\u00edvel&raquo; usada no art&ordm; 1206&ordm; do CC, de modo a concluir que n\u00e3o lhes era aplic\u00e1vel a exig\u00eancia de forma imposta pelo art&ordm; 1143&ordm; do CC para os contratos de m\u00fatuo nele previstos.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Tendo esses contratos por objecto coisas fung\u00edveis, ao R. competia guard\u00e1-las e restituir outro tanto do mesmo g\u00e9nero e qualidade (art&ordm;s 207&ordm; e 1142&ordm;).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Preceitua o art&ordm; 282&ordm;, n&ordm; 1 do CC que \u00e9 anul\u00e1vel, por usura, o neg\u00f3cio jur\u00eddico, quando algu\u00e9m, aproveitando conscientemente a situa\u00e7\u00e3o de necessidade, inexperi\u00eancia, ligeireza, depend\u00eancia, estado mental ou fraqueza de car\u00e1cter de outrem, obtiver deste, para si ou para terceiro, a promessa ou a concess\u00e3o de benef\u00edcios excessivos ou injustificados.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Para que haja neg\u00f3cio usur\u00e1rio, no amplo sentido que a Lei deu a esta categoria, exige-se, como requisito da anulabilidade, a consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de necessidade, inexperi\u00eancia, depend\u00eancia, ou defici\u00eancia ps\u00edquica de algu\u00e9m.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">A anulabilidade n\u00e3o resulta, portanto, apenas dum daqueles estados. \u00c9 necess\u00e1rio que haja a consci\u00eancia (conhecimento) de que se est\u00e1 a tirar proveito da inferioridade de outrem. S\u00f3 assim o neg\u00f3cio pode ser havido como usur\u00e1rio.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Em segundo lugar \u00e9 necess\u00e1rio que a situa\u00e7\u00e3o de inferioridade de uma das partes tenha sido aproveitada pela outra para alcan\u00e7ar a promessa ou a concess\u00e3o de um benef\u00edcio, em proveito desta ou de terceiro.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">E, por \u00faltimo, exige-se ainda que estes benef\u00edcios sejam manifestamente excessivos ou injustificados &ndash; determina\u00e7\u00e3o que fica entregue, caso por caso, ao prudente arb\u00edtrio do julgador.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Em mat\u00e9ria de obriga\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias vigora entre n\u00f3s o princ\u00edpio nominalista (art&ordm; 550&ordm; CC), segundo o qual o cumprimento dessas obriga\u00e7\u00f5es faz-se em moeda que tenha curso legal no Pa\u00eds \u00e0 data em que for efectuado e pelo valor nominal que a moeda nesse momento tiver, salvo estipula\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">S\u00f3 excepcionalmente \u00e9 admitida no nosso ordenamento jur\u00eddico a actualiza\u00e7\u00e3o, como resulta do art&ordm; 551&ordm;, norma onde se prev\u00ea que &ldquo;quando a lei permitir a actualiza\u00e7\u00e3o das presta\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias, por virtude das flutua\u00e7\u00f5es do valor da moeda, atender-se-\u00e1, na falta de outro crit\u00e9rio legal, aos \u00edndices dos pre\u00e7os, de modo a restabelecer, entre a presta\u00e7\u00e3o e a quantidade de mercadoria a que ela equivale, a rela\u00e7\u00e3o existente na data em que a obriga\u00e7\u00e3o se constituiu&rdquo;.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">O devedor desonera-se desde que entregue o n\u00famero de moedas (com curso legal) necess\u00e1rias para, atendo o seu valor facial ou nominal, perfazer o montante ou quantia em d\u00edvida.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">As desvaloriza\u00e7\u00f5es ou valoriza\u00e7\u00f5es da moeda, nomeadamente as altera\u00e7\u00f5es do seu valor de troca ou aquisitivo, n\u00e3o interessam. S\u00f3 interessa o valor nominal da moeda e o seu curso legal no Pa\u00eds.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Se houver modifica\u00e7\u00e3o do sistema monet\u00e1rio, o princ\u00edpio nominalista significar\u00e1 que o devedor h\u00e1-de pagar em esp\u00e9cies monet\u00e1rias do novo sistema, calculadas segundo a norma de equival\u00eancia que se tiver estabelecido na lei entre a nova e a antiga moeda.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Traduzindo-se a obriga\u00e7\u00e3o de restitui\u00e7\u00e3o do R. numa d\u00edvida pecuni\u00e1ria e n\u00e3o numa d\u00edvida de valor, n\u00e3o h\u00e1 legalmente lugar \u00e0 actualiza\u00e7\u00e3o ou correc\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.\n<p>     <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.dgsi.pt\/jtrc.nsf\/8fe0e606d8f56b22802576c0005637dc\/9ded9b7d51ae67bb802578700047daf0?OpenDocument\" rel=\"noopener noreferrer\">Consultar texto integral<\/a><\/li>\n<p style=\"text-align: justify\">&nbsp;<\/p>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_25403\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"25403\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon small\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img src=\"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p>DEP\u00d3SITO IRREGULAR. CONSULADO PORTUGU\u00caS. ESTRANGEIRO. FORMA. USURA. ANULABILIDADE. OBRIGA\u00c7\u00c3O PECUNI\u00c1RIA. ACTUALIZA\u00c7\u00c3O APELA\u00c7\u00c3O N&ordm; 115\/2000.C2 Relator: ARTUR DIAS Data do Acord\u00e3o:<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[229],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25403"}],"collection":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25403"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25403\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/trc.pt\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}